Quando patentes viram batalhas: O que você precisa saber sobre litígios

jan 11, 2026 | Patentes

Patentes protegem inovações. Mas e quando alguém desrespeita essa proteção? Ou quando sua própria empresa é acusada de infringir patentes de terceiros?

Bem-vindo ao mundo dos litígios de propriedade intelectual, onde estão em jogo multas milionárias, produtos bloqueados e reputações comerciais.

Vamos descomplicar esse cenário para que você saiba exatamente o que está em risco e como se proteger.

Por que litígios acontecem?

Na maioria das vezes, disputas de patentes surgem em duas situações:

1. Infração alegada
Um titular de patente acusa que sua tecnologia está sendo usada sem autorização. Se você desenvolveu algo parecido (mesmo sem saber da patente existente), pode estar em risco.

2. Contestação de validade
Alguém tenta derrubar uma patente, alegando que ela nunca deveria ter sido concedida. Isso geralmente acontece como defesa contra acusação de infração.

Antes de chegar aos tribunais, é comum haver tentativas de negociação: notificações extrajudiciais, propostas de licenciamento, acordos de coexistência.

O litígio judicial só acontece quando não há acordo – seja por divergência sobre a violação, seja por discordância nos valores de licenciamento.

E aqui está o ponto: ninguém QUER ir para a Justiça. Processos custam caro, demoram anos e geram desgaste. Mas quando a inovação em jogo é valiosa, ambos os lados às vezes preferem arriscar.

O que está em jogo: consequências reais

Indenizações e multas

Se a infração for comprovada, as consequências financeiras podem ser pesadas:

    • Lucros cessantes: O que o titular deixou de ganhar por causa da infração
    • Ganhos indevidos: O lucro que o infrator obteve usando a tecnologia
    • Royalties hipotéticos: O que teria sido pago em um acordo de licenciamento normal
    • Danos morais: Pela violação do direito

No Brasil, a Lei de Propriedade Industrial permite que o cálculo seja feito pelo critério mais favorável ao titular. Em casos de infração deliberada, juízes costumam aplicar valores significativos para desestimular a prática.

Exemplos reais:

  • Apple vs. Samsung (2011-2018): Após 7 anos de batalha judicial, a Samsung pagou US$ 539 milhões à Apple por violação de patentes e design
  • Novo Nordisk (Ozempic): Tentou estender o monopólio da patente no Brasil, mas o STJ negou – permitindo entrada de genéricos e economia para o SUS

    Bloqueio de produtos

    Talvez mais grave que multas: a possibilidade de ter seu produto BANIDO do mercado.

    O titular pode pedir liminar para parar fabricação e vendas imediatamente. Se concedida, você precisa:

      • Retirar produtos do mercado
      • Parar produção
      • Lidar com estoque encalhado
      • Perder participação de mercado

        Caso Nokia vs. Oppo (2021-2022):
        A Nokia obteve liminar no Brasil impedindo a Oppo de usar sua tecnologia de compressão de áudio. A pressão foi tanta que, em poucos meses, as empresas fecharam acordo global de licenciamento.

        A interrupção forçada pode ser fatal para empresas menores.

        Custos além do óbvio

        Mesmo se você “ganhar” no final, o processo cobra seu preço:

          • Honorários advocatícios: Advogados especializados em PI não são baratos
          • Perícias técnicas: Necessárias para provar ou refutar a infração
          • Tempo de gestão: Anos de incerteza afetando decisões estratégicas
          • Imagem: Ser visto como “infrator” prejudica reputação com clientes e investidores

        E há ainda o risco reverso: se durante o litígio for provado que SUA patente nunca deveria ter sido concedida, você perde tanto o processo quanto a proteção daquela inovação.

        Casos que mudaram o jogo

        Apple vs. Samsung: a batalha bilionária

        Começou em 2011. A Apple acusou a Samsung de copiar design e funcionalidades do iPhone. A Samsung contra-atacou com suas próprias patentes.

        Durante 7 anos:

          • Dezenas de processos em múltiplos países
          • Decisões e recursos constantes
          • Produtos bloqueados temporariamente
          • Custos jurídicos astronômicos

        Resultado final:
        Acordo de US$ 539 milhões. Mas ambas as empresas gastaram provavelmente muito mais que isso em advogados e perícias.

        Lição: Mesmo gigantes sofrem. Para empresas menores, um litígio desses seria destruidor.

        Bayer vs. Agricultores brasileiros

        Agricultores brasileiros processaram a Bayer (Monsanto) pedindo devolução de royalties pagos por sementes transgênicas cuja patente havia expirado.

        Alegação: continuaram pagando indevidamente pela tecnologia Intacta RR2 PRO mesmo após término da proteção.

        Lição: Patentes têm prazo. Tentar prolongar benefícios após expiração pode gerar processos reversos.

        Johnson & Johnson vs. Governo (2021)

        A J&J tentou estender validade da patente do Stelara (medicamento para doenças autoimunes) no Brasil.

        O STJ rejeitou. A patente foi considerada expirada, permitindo que o SUS comprasse versões genérica mais baratas.

        Lição: Conhecer os limites legais é essencial. Forçar interpretações não amparadas em lei tende a falhar e prejudica imagem.

        Como minimizar riscos

        1. Due Diligence ANTES de lançar

        Faça busca de patentes de terceiros (Freedom-to-Operate) antes de investir em produção. Identifique possíveis obstáculos e:

          • Licencie a tecnologia, se necessário
          • Redesenhe o produto para não infringir
          • Avalie o risco legal de prosseguir

        A Oppo provavelmente subestimou as patentes da Nokia no Brasil. O custo dessa falha foi alto.

        2. Prefira acordos quando possível

        Litígios consomem tempo e dinheiro. Se houver espaço para negociação:

          • Propor licenciamento
          • Oferecer royalties retroativos
          • Buscar coexistência pacífica

        No caso Apple vs. Samsung, alguns observadores argumentam que um acordo inicial teria poupado bilhões de ambas as partes.

        3. Patentes de qualidade protegem melhor

        Patentes mal escritas ou frágeis podem cair em contestações. Invista em:

          • Redação técnica robusta
          • Análise de anterioridade profunda
          • Estratégia de depósito que cubra variações da invenção

        James Dyson tinha patentes sólidas e globais – isso impediu cópias imediatas e deu tempo para ele dominar o mercado.

        4. Aja rápido se for titular

        Se você detectar infração à sua patente:

          • Notifique o infrator formalmente
          • Proponha acordo antes de judicializar
          • Se não houver resposta, considere medidas de urgência (liminar)

        A Nokia agiu rápido contra a Oppo e conseguiu liminar favorável, o que acelerou as negociações.

        5. Conheça seus limites legais

        Empresas devem saber até onde vão seus direitos. Tentar prolongar patentes além do permitido (como J&J tentou) não só falha como gera críticas e processos.

        Respeite prazos de expiração e evite litígios desnecessários.

        Prevenção é mais barata que litígio

        A verdade incômoda: uma única disputa judicial pode custar mais que desenvolver a inovação inteira.

        Para empresas inovadoras:

          • SEMPRE faça busca de anterioridade antes de investir em desenvolvimento
          • Proteja suas próprias inovações com patentes robustas
          • Monitore o mercado para identificar possíveis infrações cedo
          • Negocie antes de processar, a maioria dos casos se resolve em acordo

        E se a disputa for inevitável? Tenha suporte técnico E jurídico especializado. Litígios de PI são complexos, exigem conhecimento profundo tanto da tecnologia quanto da legislação.

        O que levar dessa leitura

        Litígios de patentes são:

          • Caros: Milhões em honorários e perícias
          • Longos: Anos até decisão final
          • Arriscados: Produtos podem ser bloqueados durante o processo
          • Evitáveis: Com planejamento e due diligence adequados

        Mas também são necessários quando direitos são violados ou quando você precisa se defender de acusações infundadas.

        A melhor estratégia?
        Prevenção. Conhecer o território de patentes ANTES de lançar produtos. Proteger suas próprias inovações ANTES que terceiros o façam. Negociar ANTES de judicializar.

        E se você está desenvolvendo algo inovador, entenda: ter uma patente forte é importante. Mas saber o que fazer quando ela for desafiada (ou quando você for acusado de infringir outras) é igualmente crucial.

        Precisa de orientação estratégica sobre proteção ou riscos de PI? Podemos ajudar com análise de liberdade para operar (FTO), busca de anterioridade e estratégias de mitigação de risco.

        Olá, quer conversar diretamente com um especialista?

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